Fernando Dannemann

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ANAGRAMA
 
            O anagrama, palavra ou frase formada de outra por meio de transposição de letras - como em Alice, Célia; Roma, amor; Pedro, poder; ou América, Iracema - é conhecido de longa data, tendo sido posto em moda no Ocidente pelo poeta e erudito francês Jean Daurat, ao tempo de Carlos IX (1560-1574). Originário do grego Ana = voltar ou repetir, e graphien = escrever, o anagrama é uma espécie de jogo de palavras, resultando do rearranjo de todas letras formadoras de um vocábulo ou frase, uma única vez, para produzir outro, ou outras. A história literária registra muitos casos de escritores que tomaram por pseudônimo o anagrama do próprio nome, como no caso de Elmano (Manoel Maria Barbosa du Bocage).
 
Um bom anagrama deve ter o seu significado relacionado de alguma forma com a palavra original, algumas vezes com efeito satírico ofensivo. Os nomes Alice e Belisa, por exemplo, nasceram da recombinação das letras de Célia e Isabel, respectivamente. É clara a intenção simbólica de José de Alencar, ao batizar de Iracema - anagrama de América - a heroína de seu romance indianista, assim como é puro jogo de maledicência apontar que Axl Rose é o anagrama de oral sex e argentino é o anagrama de ignorante.
 
Os anagramas são freqüentemente expressos na forma de uma equação, com símbolos de igualdade (=) separando a palavra original e o anagrama resultante. Ator = Rota é um exemplo de anagrama simples expresso dessa maneira. Em outro tipo de anagrama mais avançado, mais sofisticado, o objetivo é ‘descobrir’ um resultado cujo significado lingüístico defina ou comente sobre a palavra original com uma conotação humorística ou irônica. Quando ela e o seu anagrama resultam em frase completa, um til (~) é comumente utilizado, ao invés de um sinal de igualdade; por exemplo: Semolina ~ Is no meal.
 
Em www.novoemfolha.com/arquivos/anagramas encontra-se uma interessante monografia sobre o assunto, na qual se diz que a definição de anagrama “palavra formada pela transposição das letras de outra palavra”.se aproxima de um conceito criado pelo filósofo Jacques Derrida, recentemente falecido, segundo o qual teríamos nele (anagrama) o desfazimento de um signo lingüístico seguido de sua recriação, ou seja, a partir de um, forma-se outro. Diz o texto que “Quando começamos a fazer anagramas, seja com palavras, frases inteiras ou nomes de pessoas, percebemos que os novos significados encontrados são muitas vezes semelhantes,. ou análogos, aos significados das palavras originais. Isso acontece mesmo quando as raízes das palavras descobertas são completamente diferentes das originais. É como se a relação entre significante e significado fosse mais profunda do que ousaríamos imaginar”.
 
É o caso, por exemplo, das coincidências verificadas em anagramas de nomes próprios. Como acontece com o do famoso ator de filmes ambientados no velho Oeste americano, Clint Eastwood, que é igual a “Old West action” (ação do velho Oeste). Ou que um dos anagramas de Diana Frances Spencer, mais conhecida como princesa Diana, esposa do príncipe Charles, da Inglaterra (ilustração ao lado), morta em um acidente de trânsito em Paris, em 1997, seja “A press dance in France” (Uma dança da imprensa na França). Ou o anagrama do falecido Slobodan Milosevic - ex-ditador da extinta Iugoslávia e responsável, segundo seus acusadores, por mais de 180 mil mortes - onde se lê “O, I’m an evil, cold boss” (O, eu sou um chefe malvado, frio).
 
Para que se descubra quantos anagramas existem em uma palavra de quatro letras, basta fazer a seguinte multiplicação: 4x3x2x1 = 24, já nas de cinco letras, a conta seria: 5x4x3x2x1 = 120. Porém, quando a palavra de cinco letras tem uma delas, ou mais de uma, repetidas, como em ARARA, o cálculo normal (5x4x3x2x1 = 120) é complementado como abaixo:
 
A,A,A: 3x2x1 = 6
R, R: 2x1 = 2
2x6 = 12
 
Divide-se, então, o resultado encontrado no de cinco letras (120), pelo obtido com as duas letras repetidas, ou seja, 120 : 12 = 10, donde se conclui que a palavra ARARA permite a formação de 10 anagramas.
 
Com relação à palavra ROMA (4 letras e 24 combinações possíveis), temos, como exemplos, amor, ramo, romã, mora, oram, armo, omar, além de algumas não legíveis (mrao e aomr seriam duas delas). Quanto a PRATO (cinco letras, com 120 combinações possíveis), algumas delas seriam: tropa, trapo, parto, porta, rapto, topar, e outras, além das ilegíveis.
 

FERNANDO KITZINGER DANNEMANN

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Publicado em 04/10/2007 às 05h31


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