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Textos
1868 - BATALHA DE ITORORÓ
A chamada batalha de Itororó foi um violento confronto que aconteceu em 06 de dezembro de 1868, durante a Guerra do Paraguai, entre as tropas imperiais do Brasil e as forças paraguaias de Francisco Solano Lopez, na ponte sobre o arroio que lhe deu o nome. A ponte tinha pouco mais de três metros de largura, e o caminho que levava até ela corria apertado por entre matas esparsas, não permitindo por isso a passagem de grandes efetivos militares.
Naquele dia a vanguarda brasileira, comandada pelo coronel Fernando Machado, tentou transpor o arroio, mas não conseguiu realizar seu intento. Depois dele o duque de Caxias (ilustração) fez nada menos que oito investidas seguidas, mas foi sempre obrigado a retroceder diante da violenta resistência que encontrava. Até que no meio do combate ele decidiu arremeter pessoalmente contra o inimigo entrincheirado, concitando seus comandados a acompanhá-lo naquela investida decisiva. Diante dessa demonstração de coragem os paraguaios abandonaram a luta e fugiram em completa desordem. Para completar a vitória em Itororó, a cavalaria do general Osório, que houvera feito um longo rodeio para tentar um ataque de flanco contra as posições inimigas, chegou a tempo de perseguir os fugitivos. As perdas brasileiras nesse combate foram de 1.800 homens, entre os quais se incluíam o coronel Fernando Machado e o general Gurjão, mortos em conseqüência dos sérios ferimentos que haviam recebido durante a luta.
Sobre esse confronto, o 3º Regimento de Cavalaria de Guarda Regimento Osório, com sede em Porto Alegre, RS, publica em seu site www.osorio.org.br, o seguinte texto:
“Batalha de Itororó - No dia 06 de dezembro de 1868 o Exército Brasileiro participou da batalha de Itororó, uma das batalhas da Guerra da Tríplice Aliança. Após desembarcar às margens do rio Paraguai, na localidade de Santo Antônio, o Exército Aliado marchou para Sul, defrontando-se com o inimigo na ponte do arroio Itororó. Na véspera desta batalha, o Comandante em Chefe das Forças Aliadas, Marechal Duque de Caxias, determinou que o Gen. Osorio marchasse com o Terceiro Corpo de Exército à esquerda do grosso das Forças do Exército Aliado, a fim de flanquear ou acometer pela retaguarda o inimigo e realizar a segurança do flanco leste. Enquanto o General Osorio realizava seu deslocamento, Caxias ordenou o ataque à ponte de Itororó, iniciando a sangrenta batalha”.
“A posição inimiga proporcionava uma enorme vantagem aos seus quatro mil defensores. Foram rechaçadas três investidas brasileiras, somente no quarto ataque o inimigo foi vencido, retraindo para as posições no corte do rio Avaí. Durante a batalha, Osorio fora chamado às pressas, chegando na região do combate após o mesmo ter se encerrado. Coube ao Marques do Herval, com seu Terceiro Corpo de Exército a perseguição e a manutenção do contato com o inimigo. Na batalha os brasileiros tiveram 1806 homens fora de combate, o inimigo perdeu 1200 homens, seis bocas de fogo, munição e armamento de toda a espécie. Iniciava assim uma série de batalhas que ocorreram no mês de Dezembro de 1868, que destruíram a capacidade de combate do inimigo e receberam a denominação de Dezembrada”.
Já o site www.exercito.gov.br, relata assim o episódio histórico:
“Seis de Dezembro de 1868. O veterano Marechal de Exército, Luiz Alves de Lima e Silva, o Marquês de Caxias, está com 65 anos de idade e 50 anos de efetivo ser-viço, contados dia a dia. Sentara praça aos 5 anos, como era costume na época, e, já em 1818, ingressara na Academia Militar. Hoje, de novo, Caxias vai lutar, a cavalo, espada desembainhada, à frente de seus soldados. Em pleno território inimigo, as tropas brasileiras precisam atravessar uma pequena ponte de apenas três metros, fortemente defendida pelos bravos soldados paraguaios. É a ponte de Itororó”.
“Os brasileiros lutam corpo a corpo, a pé e a cavalo. Avançam, recuam, tornam a avançar e tornam a recuar. Favorecida pela topografia do terreno, a artilharia inimiga, com 12 canhões, dispara contra eles sem cessar. O barulho é ensurdecedor. Os uniformes se esfrangalham, o sangue respinga de todos os lados, corpos de homens e de cavalos abatidos se misturam e atapetam o solo. Eis que, de repente, espalham-se entre os brasileiros as notícias de que o coronel Fernando Machado consegue atravessar a ponte mas é morto; de que Gurjão também consegue cruzar a ponte mas é gravemente ferido; e de que o general Argolo também é atingido. Os soldados se desnorteiam, vacilam, a debandada parece iminente. Com toda a sua experiência, o velho Marechal percebe que a situação é gravíssima. É necessário agir rapidamente. Em seu cavalo, Caxias toma a frente de seu exército, desembainha a espada e, em voz firme, brada: "Sigam-me os que forem brasileiros!".
"Segundo Affonso de Carvalho, em sua obra "Caxias", "...toda aquela massa que há pouco amolecera e se desfibrara sob a ação do pânico, readquire de súbito sua vitalidade e poder combativo...". E, segundo Dionísio Cerqueira, "...quando ele passou, houve quem visse moribundos erguerem-se brandindo espadas ou carabinas para caírem mortos adiante...". Caxias atravessa a ponte de Itororó. O velho Marechal nunca perdera qualquer batalha e jamais fugira. Os paraguaios fogem a galope mas deixam, no campo de lutas, 400 mortos. Do lado brasileiro, 1.806 homens são postos fora de combate em apenas 1 dia. Recorda-se de que na FEB, durante a Segunda Guerra Mundial, em 239 dias o Brasil teve 451 mortos e 1.577 feridos”.
Na praça Duque de Caxias, na cidade de São Paulo, encontra-se instalado o monumento que homenageia o marechal-de-campo Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, patrono do Exército. Realizada pelo artista plástico Victor Brecheret, a obra, com 41 metros de altura e contendo 50 toneladas de ferro e bronze, é considerada a maior estátua eqüestre do mundo. Na sua base é retratada uma cena de batalha de Itororó.
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FERNANDO KITZINGER DANNEMANN |
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Publicado em 02/02/2007 às 22h18
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