AREU (MARTE)
Os gregos tinham Areu, ou Ares, como o deus da guerra, da violência, da bravura cega e temerária, e davam-lhe como atributos a lança e a espada, e depois o archote, o cão e o abutre, colocando a seu redor divindades maléficas como Agon, o Combate, Eris, a Discórdia, Deimos, o Terror e Fobos, o Espanto, e ainda as divindades de morticínio (Ênio e os Querés)
Segundo a lenda, Areu, era filho de Zeus e de Hera, e tumultuava o Olimpo com as brigas que arranjava, principalmente com Hércules e Atena, sendo um dia algemado pelos gigantes Aloídes, mas libertado por Hermes. Areu só se dava bem com Afrodite, o que acabou provocando comentários sobre seus amores com ela. O poeta Homero (século 6 ou 7 a.C.), conta em sua obra Odisséia, como foi que os dois amantes acabaram surpreendidos por Efesto (Vulcano), e por isso encerrados numa rede e expostos ao riso dos imortais. Pelo relato, “Marte se tinha posto em guarda contra os olhares perspicazes de Febo, seu rival junto da bela deusa, e colocara Alectrion, seu favorito, como sentinela. Mas tendo este adormecido, Febo percebeu os culpados e correu a prevenir Vulcano. O marido ultrajado envolveu-os em uma rede, que tanto tinha de sólida como de invisível, e tomou todos os deuses como testemunhas do crime. Marte castigou o sentinela transformando-o em galo, e desde então essa ave procura reparar o seu erro anunciando com seu canto o nascimento do dia. Vulcano, a pedido de Netuno e sob responsabilidade deste, desfez os maravilhosos laços. Os cativos, postos em liberdade, voaram, uma para a Trácia, sua terra natal, e outro para Pafos, seu retiro predileto”. (Marcio Pugliesi).
Na Ilíada, o mais antigo dos poemas homéricos, Areu é mencionado apenas como o deus dos combates e da força bruta, sendo vencido muitas vezes por Atena ou por alguns protegidos dessa deusa.
A Grécia clássica não sabia muito mais sobre a história do seu deus das batalhas. Pela pobreza e monotonia dos relatos sobre ele, o ciclo de Areu contrasta com a riqueza dos outros ciclos divinos, o que se explica pelo fato desse deus nunca ter sido popular entre os gregos. O centro do seu culto situava-se na Trácia, de onde passou à Beócia, mas existiam templos na Lacônia, Tegéia, Hermíone e Trezena, embora pareça que nenhuma cidade o tomou como protetor. Os atenienses consagraram-lhe o rochedo vizinho à Acrópole, chamado Areópago - Colina de Areu -, porque segundo a tradição, nesse monte instalou-se um tribunal criado para julgar Areu pelo crime de ter matado um filho de Posseidon.
Os romanos, povo que havia construído um império do Ocidente ao Oriente, escolheram Marte como o deus da guerra, personificando-o como o ideal de soldado que buscavam. Na época, ele só perdia em importância para Júpiter, e com o correr do tempo tornou-se deus da guerra e assimilou todas as lendas relativas a Areu. Seus atributos eram a lança e a tocha ardente e suas festas ocorriam na primavera e outono, início e fim dos períodos agrícola e militar. Em 15 de outubro, realizava-se uma competição de carros puxados por dois cavalos, e em 19 de outubro o Armilustrium assinalava a purificação das armas de guerra, que eram guardadas durante o inverno. Sob o governo de Augusto o culto a Marte ganhou novo ímpeto, pois além de tradicional guardião dos assuntos militares do estado, ele se tornou protetor do imperador, recebendo o nome de Mars Ultor (Marte, o Vingador).
Seu culto às vezes rivalizou com o de Júpiter, e por volta do ano 250 d.C., Marte era o mais importante dos deuses militares venerados pelas legiões romanas. Ofereciam-lhe como vítimas o touro, o cachaço, o carneiro e, mais raramente, o cavalo. O galo e o abutre eram-lhe consagrados. As matronas romanas sacrificavam- lhe um galo no primeiro dia do mês que tem o seu nome (março), e era por esse mês que o ano começava, até o tempo de Júlio César.
Os antigos monumentos representam o deus Marte de um modo bastante uniforme, sob a figura de um homem armado usando capacete, uma lança e um escudo, ora nu, ora com roupas de guerra, e também com um manto sobre os ombros. Algumas vezes mostram-no com toda a barba, mas geralmente imberbe. Outras vezes empunha o bastão de comando. Sobre seu peito vê-se o escudo com a cabeça de Medusa. Às vezes em seu carro tirado por cavalos fogosos, às vezes à pé, sempre em atitude guerreira. O seu epíteto Gravidus significa “aquele que marcha a passos largos”.
A terça feira era-lhe consagrada (Martii dies)
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