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Textos
LENDA DA CARRUAGEM DE ANA JANSEN
Em 1682 criou-se no Maranhão a Companhia do Comércio do Maranhão, cuja finalidade seria a de introduzir naquela região cerca de quinhentos escravos a cada ano, vendendo-os a cem mil reis cada um, bem como a de exercer o monopólio dos gêneros alimentícios. Mas ela não só deixou de cumprir o compromisso com relação aos escravos, como também vendia mercadorias de péssima qualidade a preços elevados, o que ocasionou um levante popular chefiado por Manuel Beckman, o Bequimão, colono influente e rico proprietário, que atraiçoado por um sobrinho acabou sendo preso, julgado sumariamente e executado. Subindo ao patíbulo, esse português de nascimento declarou apenas que morria contente pelo povo maranhense.
Tal época propiciou a formação de grandes fortunas no estado, administradas com mão de ferro pelos que as possuíam. Entre esses ricaços de São Luis encontrava-se Ana Joaquina Jânsen Pereira, mais conhecida como Donana Jânsen, uma comerciante poderosa e que por isso mesmo exercia forte influência na vida política, administrativa e social da cidade. Sobre ela dizia-se que era perversa ao extremo, que submetia seus escravos às mais bárbaras sessões de tortura, aplicando-lhes suplícios tão grandes que eles geralmente acabavam morrendo. Daí que de certa altura em diante o nome dessa senhora passou a ser pronunciado não com respeito, mas com evidentes sinais de medo ou pavor.
Isso aconteceu no século 19. Anos após a morte de Donana Jânsen, os moradores da Praia Grande, onde ficava o casarão que a temida senhora habitara, passaram a comentar que nas noites de sextas-feiras, principalmente nas mais escuras, uma carruagem puxada por parelhas de cavalos brancos sem cabeça, guiados por uma caveira de escravo também decapitado, desfilava em desabalada carreira pelas ruas de São Luis conduzindo em seu interior o fantasma da comerciante que assim pagava pelos pecados, desmandos e atrocidades que cometera em vida, e para os quais não encontrara perdão.
Revela a lenda que se algum infeliz retardatário tiver a desventura de encontrar-se com a carruagem de Ana Jânsen pelas ruas de São Luis, deverá incontinenti rezar uma oração pedindo que a alma da maligna criatura seja salva. Caso contrário, receberá, ao deitar-se, uma vela de cera entregue pelo fantasma, e quando o dia amanhecer, esta pequena peça terá se transformado em um osso humano descarnado.
No site oficial maranhense (www.turismo.ma.gov..br) a lenda de Ana Jansen e sua carruagem encantada e descrita da seguinte forma: “É talvez a lenda mais popular de São Luís. Reza que Ana Jansen, mulher rica, poderosa e, segundo alguns, muito malvada com seus escravos, teria sido condenada a pagar seus pecados vagando eternamente pelas ruas da cidade numa carruagem encantada. O coche maldito parte do cemitério do Gavião, em noites de quinta pra sexta-feira, e ai de quem encontrá-lo pelo caminho. Ao incauto, Ana Jansen oferece uma vela acesa que, na manhã seguinte, estará transformada em osso de defunto. Um escravo sem cabeça conduz a carruagem, puxada por cavalos também decapitados”.
Informações semelhantes podem ser encontradas em www.brazilonboard.com, site da BrazilOnBoard, um guia de turismo on-line com as principais informações para o turista que deseja viajar pelo País. Nele, o assunto é abordado da seguinte forma: “A lenda é a mais popular de São Luís. Conta o que aconteceu com a mulher mais influente da cidade no século XIX. Rica e bonita, Ana Jansen era proprietária de terras e dona de muitos escravos. Porém, ela tratava mal todos aqueles que a cercavam e era especialmente cruel com seus escravos. Quando morreu, foi condenada a pagar pelas maldades que cometeu vagando pelo mundo. Nas noites escuras de sexta-feira, uma carruagem sai do cemitério puxada por cavalos sem cabeça. É a carruagem de Ana Jansen, que segue pelas ruas ao som dos rangidos de parafusos e dos gritos dos escravos que sofreram por sua causa. Quem cruza seu caminho é amaldiçoado. Ana Jansen entrega uma vela para a pessoa, que vira um esqueleto no dia seguinte”.
Por sua vez, o jornal Folha de São Paulo, em 15 de março de 2004, publicou matéria intitulada “Carruagem e serpente povoam imaginação em São Luís”, que diz em certo trecho: “Outra lenda muito popular na ilha encantada é a da carruagem assombrada de Ana Jansen, puxada por cavalos com chamas no lugar das cabeças e guiada por um esqueleto. No interior do veículo, estaria o fantasma de Jansen, rica comerciante que ficou famosa pelas atrocidades que cometia contra seus escravos. Segundo a lenda, a tal carruagem assombrada ainda anda pelas ruas do centro históri-co, condenada a vagar assim pela eternidade em conseqüência das maldades de Ana Jansen” .
A serpente mencionada no título é a “serpente encantada de São Luís”, lenda maranhense relatada em outra página do nosso recanto.
Este texto também foi publicado em www.efecade.com.br, que o autor está construindo. Visite-o e deixe a sua opinião.
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FERNANDO KITZINGER DANNEMANN |
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Publicado em 25/06/2006 às 06h01
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