

![]() VÁ CANTAR NA PRAIA
Praias são pequenas faixas de terreno cobertas ordinariamente de areia, confinando com o oceano, com o mar, com lagos e até mesmo com rios, quando estes têm talude considerável. Nelas preponderam de forma geral as formações arenosas, embora em alguns casos a porcentagem de fragmentos de rocha possa tornar-se elevada. Em virtude do predomínio da areia, que torna o ambiente desfavorável ao desenvolvimento da maioria das espécies vegetais, e também do cloreto de sódio e dos ventos fortes, que colaboram grandemente para isso, a vegetação das praias marítimas é bastante sumária, Atualmente, as praias constituem centros de atração turística e lugares de diversão e recreio, existindo ao longo da costa brasileira um número apreciável de pontos procurados por gente de todos os lugares do mundo, para as suas temporadas de férias. Algumas praias do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Ceará e demais estados nordestinos, são as mais freqüentadas do Brasil, mas exceção feita às situadas em grandes centros urbanos, ou pontos turísticos conhecidos, e mesmo assim apenas quando o sol está brilhando sobre a cabeça dos banhistas, elas são, geralmente, locais desertos, ermos, ou os dois, ao mesmo tempo, sendo difícil encontrar-se nas chamadas praias virgens, selvagens ou desabitadas, a presença de uma única pessoa. Não faz muito tempo era isso o que ocorria de sul a norte do país, na maioria das praias mais badaladas da atualidade, fato que explica a existência da expressão “vá cantar na praia”, aplicável ainda agora aos importunos, aos cantores desafinados, aos pedintes insistentes, aos que conversam demais, aos reclamantes contumazes, aos chatos e aborrecidos, aos renitentes vendedores ambulantes de qualquer coisa, e outras figurinhas e figuronas que de vez em quando costumam cobrir de sombras a claridade que antes luzia em nosso dia de trabalho, prazer ou descanso. Mas essa recomendação curiosa é mais antiga do que a princípio se possa pensar, tanto que o folclorista Luiz da Câmara Cascudo a registra em seu livro “Locuções Tradicionais do Brasil”, informando que em “Farsa de Quem tem Farelos”, de 1505, seu autor, Gil Vi-cente, escrevia “I eramá cantar à praia!”. Daí porque não ser arriscado dizer que desde cinco séculos atrás, mandar alguém cantar na praia significa o desejo de que o indivíduo falador em questão se dirija aos ventos, que não ouvem, ou às águas, que não dão a menor importância ao palavreado inútil e despropositado que o infeliz ouvinte às vezes se vê condenado a suportar com contida resignação. Sobre praias, vale registrar como curiosidade que a Praia do Abricó, no Rio de Janeiro (Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, entre a Praínha e a praia de Grumarí), é a única área, dentro do município, destinada oficialmente ao naturismo, embora o Estado do Rio ofereça outras opções aos adeptos dessa prática, como a Praia Brava de Cabo Frio e Praia Olho de Boi, em Buzios. Segundo a Federação Brasileira de Naturismo, em uma praia naturista seus freqüentadores buscam uma integração com a natureza e com o próximo, sem qualquer envolvimento ou comportamento de caráter sexual, porque isso é expressamente proibido. Caso alguém transgrida essa regra, poderá ser expulso da praia ou até mesmo acabar sendo preso pela polícia. A história da utilização da Praia do Abricó para a prática do chamado naturismo, ou nudismo, é pelo menos curiosa. Desde a década de 1940 suas areias eram utilizadas por homens e mulheres que procuravam um local onde pudessem permanecer despidos e sem constrangimento. Nos anos 1950, a bailarina Luz del Fuego e seu grupo também passaram a freqüentar a praia. Em 1972, a abertura de uma estrada facilitou a chegada ao lugar, e a conseqüência disso foi que nos anos seguintes o Abricó passou a ter um número maior de freqüentadores, o que acabou provocando a necessidade de regulamentação da prática do nudismo. Em 1992, o então secretário municipal de Meio Ambiente, Alfredo Sirkis, sugeriu ao prefeito César Maia a aprovação da lei autorizando o nudismo no Abricó, o que aconteceu em 1994. Contrariado com isso um advogado entrou com pedido de liminar contra a decisão da Prefeitura, mas como perdeu em todas as instâncias judiciais, não mais existe a possibilidade de recursos contra a decisão do governo municipal que permitiu a atividade naturista na praia escolhida por seus praticantes. FERNANDO KITZINGER DANNEMANN
Enviado por FERNANDO KITZINGER DANNEMANN em 22/05/2006
Alterado em 10/03/2008
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