Fernando Dannemann

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QUILATES - De ouro 

          O ouro é um metal precioso de cor amarela, pesado e maleável, podendo ser batido, comprimido e estirado sem que se rompa. Essa característica, associada à sua beleza, sempre atraiu a atenção das pessoas, mas como ele não era encontrado em quantidade suficiente para atender a todos que desejavam obtê-lo, tornou-se caro e motivo de especulação. Encontrado principalmente em seu estado livre, misturado com a areia ou em veios de quartzo que constituem os filões, ele também pode ser achado em quase todas as rochas e na água do mar, mas em pequeno volume. 

          Para extraí-lo das areias auríferas, usam-se bateias, em pequena escala, ou aquedutos de madeira, em grande escala, onde uma corrente de água arrasta a areia e deixa o ouro depositado. A maior pepita desse metal já encontrada até hoje rendeu 69,96 kg de ouro puro, em um bloco cujo peso total era de 70,92 kg. Garimpada em Moliagul,  Vitória,  Austrália,  no ano de 1869, ela recebeu o nome de Welcome Stranger 

          Escavações feitas em sítios arqueológicos comprovaram que os caldeus e os egípcios já usavam o ouro em adereços femininos, moedas e peças diversas, o que permite calcular-se que ele já era conhecido há mais de seis mil anos. As jóias mais antigas de que se tem notícia são colares de pérola e ouro encontrados no Egito, anteriores à Primeira Dinastia (iniciado por volta de 4.200 a.C). Os antigos egípcios aperfeiçoaram através dos séculos a técnica com que trabalhavam esse mineral, tanto que durante a 18ª Dinastia, desenvolvida de 1580 a 1320 a.C, seus ourives já acrescentavam a ele cerca de 13% de cobre, para torná-lo mais duro. 

          O quilate é a unidade de medida que identifica o teor do ouro puro em um quilo de liga metálica, ou seja, no ouro de 24 quilates temos 999,99 gramas de pureza em cada mil  gramas do metal.  Mas como esse  ouro puro  é muito maleável  e sua utilização na produção de jóias torna-se tecnicamente inviável, ele é ligado a metais como cobre e prata, que darão a cor final da liga e determinarão a sua dureza. Ao contrário do que acontece com o diamante e outras pedras preciosas que empregam a abreviatura “ct” para determinar sua medida, no quilate de ouro usa-se a letra “K”, como em 18K ou 24K, significando aí que o metal tem 18 ou 24 quilates. 

          O ouro puro é empregado na confecção de barras sólidas adquiridas por investidores, mas para a fabricação de anéis, brincos, colares, pulseiras ou outros objetos de adorno,  a liga mais  utilizada no  Brasil é  a de 18 quilates,  também conhecida como liga de ouro 750 porque em cada mil gramas do metal, existem 750 gramas de ouro puro. 

     A notícia da descoberta de ouro no interior do Brasil, o maior manancial até então encontrado em toda história ocidental, provocou a primeira corrida do ouro da história moderna (achados só superados depois pelo da Califórnia em 1848 e o do Yukon em 1890). O escritor brasileiro André João Antonil , nascido entre 1670 e 1680 e morto em data ignorada, observou em “Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas” que a “cada ano vêm nas frotas quantidades de portugueses e de estrangeiros, para passarem às minas. Das cidades, vilas, recôncavos e sertões do Brasil, vão brancos, pardos e pretos, muitos índios de que os paulistas se servem”. Foi tamanho o fluxo que a população naquele século decuplicou, atingindo a mais de 3 milhões de habitantes, sendo que 650 mil concentravam-se na área das minas. 

     Segundo Roberto Simonsen, em “História Econômica do Brasil”, a garimpagem de ouro na então colônia portuguesa extraiu em cem anos as seguintes quantidades:

De 1691 a 1700 = 15.000 quilos
De 1701 a 1720 = 55.000 quilos
De 1721 a 1740 = 177.000 quilos
De 1741 a 1760 = 292.000 quilos
De 1761 a 1780 = 207.000 quilos
De 1781 a 1800 = 109.000 quilos 

     Sobre esse período de busca desenfreada pela fortuna, assim se manifestou Cecília Meireles, em “Romanceiro da Inconfidência” 

     “Selvas, montanhas e rios estão transidos de pasmo, 
     É que avançam , terra adentro, os homens alucinados (...) 
     Que a sede de ouro é sem cura, e, por ela subjugados, 
     os homens matam-se e morrem, ficam mortos, mas não fartos


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FERNANDO KITZINGER DANNEMANN

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Publicado em 31/01/2006 às 21h06

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